Este Natal será cultural
Novembro 29, 2018
Ricardo Correia

Este ano decidimos mudar o nosso conceito de prendas cá para casa. Os miúdos estão a ficar grandinhos, e portanto a praga dos brinquedos finalmente está a terminar. A nível de tecnologia, os papás, decidiram que isso não faz falta nenhuma lá em casa. E o que já têm, chega e sobra, para lhes torrar os neurónios e deixá-los dispersos do mundo envolvente.
Para mim e para a Cláudia, não há nada que nos irrite mais, do que estarmos a falar para eles e vê-los com a cabeça enterrada no telemóvel ou no tablete, e deixarem-nos literalmente a falar para as paredes sem nos prestarem atenção alguma. Como se não bastasse isso, agora tanto a Ema como o Xavier aderiram à moda dos "headphones". Portanto falar para eles quando estão agarrados à tecnologia, é o mesmo que encenar uma de "Martin Lawrence" com a célebre e popular frase: "talk to the hand".
Claro que a pirralhita, a Beatriz, ainda tem direito a reclamar o seu presente de natal e portanto, não dar-lhe um brinquedo seria uma enorme crueldade. Será portanto a exceção, mas também ela não se verá livre do que aí vem... e aqui sou eu a dar uma de "Dr. Evil".
Se virmos bem a história, o desgraçado do Jesus também não recebeu brinquedos... Reza a lenda que lhe entraram estábulo a dentro três reis magos, e que lhe levaram ouro, incenso e mirra. Coitada da criança! O que lhes terá passado pela cabeça... Pergunto-me, para que raio queria Jesus tais oferendas? Que utilidade aquilo lhe trouxe? Vê-se logo que os três reis magos não percebiam nada de crianças! Então vem uma criança nua ao mundo, e eles nem um babygrow lhe trouxeram! Tótós...
Então e perguntam vocês qual a idiotice que desta vez atingiu o nosso cérebro, que nem relâmpago desgovernado, para este Natal? Hum!
Ora pois bem, vou desvendar o mistério. Este Natal será um Natal Cultural. E o que é isso? Simples. A Ema e o Xavier têm direito a pedir três livros cada um, de uma coleção que já tenham iniciado, ou de uma que queiram começar de novo. A Beatriz, também ela verá que o Pai Natal este ano, vai seguir as nossas pisadas e embrulhar um livrinho para a idade dela, juntamente com o tradicional brinquedo, claro está. Mas ela há-de crescer e aí...
Seguido a isto poderão ainda escolher um presente cada um, mas que seja algo do foro cultural. "What!"
Entenda-se, uma ida ao cinema, ou ao teatro, ou ao ballet, ou visita a um museu, ou quiçá um espetáculo musical. "Whatever", desde que seja virado para a cultura. Ou mesmo ao circo! Afinal de contas o "coelhinho vai com o pai natal e o palhaço ao circo". Porque não todos?!
Espero que esta ideia inspire muitas famílias por aí fora, e que digam adeus ao consumismo e ao esbanjar de dinheiro em prendas inúteis, e a todos aqueles que nutrem uma certa fobia à tecnologia, que tem vindo a tomar conta das nossas vidas como uma epidemia maligna. Não digo que a tecnologia seja má, mas há certas coisas que são desnecessárias, e todos vivíamos bem sem elas e felizes à um bom par de anos atrás.

O complicado é ir enfrentar as filas de trânsito, o jogo do assalto ao castelo à caça de um lugar de estacionamento, as barricadas à frente das estantes e a zaragata ao tirar o último artigo da prateleira. Faz-me lembrar um filme já muito antigo, daquele pai desesperado atrás do último brinquedo à face da terra, que o filho queria tanto e ele se esqueceu de comprar.
E então se tiverem um carro a GPL como eu, já desisti de ir procurar nos lugares reservados a GPL, porque como não há respeito nenhum é a lei da selva, quando lá chega está cheio, mas nenhum carro é a GPL, ou não têm o autocolante para não parecer mal.
Se for alguém que a gente conheça bem, então faz sentido, rapidamente se chega lá. Agora se for aquela triste ideia do "é só uma lembrancinha....". É caso para dizer "- bolas que desperdício de dinheiro!"
Uma coisa é comprar e oferecer prendas que realmente sejam úteis ou façam falta a essa pessoa, ou para a casa, outra é somente comprar por comprar, isso a mim faz-me confusão ao cérebro.
Antigamente os nossos avós corriam-nos a meias e a cuecas. Ninguém gostava como é óbvio, mas pensem bem, era útil ou não era? Torciam o nariz mas o que é certo é que depois do Natal passar e da passagem do ano, toda a gente acabava por vestir e calçar essa prenda. Ah pois é! 

ao agarrar naquela carteira e ela ir abrindo para baixo tipo degraus com os diversos cartões. Imaginem só...