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-Blog familiar é só entrar com boa disposição- 😉

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Como eu fiquei careca, por umas horas!

Agosto 19, 2019

Ricardo Correia

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Estava eu alapado no sofá a ver qualquer coisa sem importância alguma, somente para matar o tempo, quando vejo uma sombra a aproximar-se da porta.

Eis, que me deparo com a Beatriz carregada de tralha até aos dentes, sub-entenda-se, brinquedos com fartura. Quando a vejo a aproximar de mim e a largar os brinquedos todos, como quem atira algo de um precipício para cima do sofá, até me arrepiei ao mirar o teor de tais objetos.

 

Com mais ou menos esforço lá trepa ela para cima do sofá, manda-me um "chega para lá" nas costas e senta-se em cima de um almofadão que eu tinha atrás de mim, lançando uma perna para cada lado ficando bem posicionada no meio das minhas costas.

 

- Então rapariga. Que se passa? - Pergunto eu intrigado com tal abordagem.
- Vou brincar aos "caleireiros" papá. - responde toda sorridente.
- Ai que bom! - disse sarcástico. Por cima da minha cabeça surgiu um balão com uma simples frase. "Estou feito!"
- Agora vou te lavar o cabelo...

 

Agarra ela num frasquinho e começa a fazer os gestos de quem põe champô nas mãos, para depois as mergulhar no meu cabelo.

De seguida começa ela então a esfregar as mãos pelo meu cabelo de um lado para o outro. E notem que a sensibilidade dela ainda não está apurada, para infelicidade minha! De tal modo, que pensei que a minha cabeça tinha sido enfiada numa batedeira gigante e posta na velocidade máxima.  A minha cabeça rodopiava, rodopiava, rodopiava... acho que dei a volta ao mundo em cabeça ao pendurão em poucos segundos. O meu cérebro era agora uma massa fofa para bolos.

A televisão por momentos desapareceu e apareceu. A parede ficou a voar à minha volta junto com quadros e móveis, e tudo e tudo... pensei que tinha entrado num carrocel em que nós estamos parados, mas tudo gira à nossa volta. E penso que foi neste momento que desmaiei.

 

Entretanto volto a mim ainda com náuseas da viagem turbulenta, com a Beatriz a concluir.

- Pronto papá, já está lavadinho. Agora vamos secar.

O quê! Hum, ainda há mais! Oh bolas! - penso para mim mesmo.


Então puxa uma mantinha branca que estava nas costas do sofá, que era dela de bebé e que ainda a persegue para todo o lado. Cobre a minha cabeça com a manta, e lá começa novamente a minha experiência maravilhosa no "caleireiro" com a secagem manual.

Desta vez tive uma experiência menos traumática. Só parecia que a minha cabeça estava a ser usada como esfregona, e andava a lavar o chão ao mesmo tempo que fazia o pino, que era atirada para a frente e para trás. De vez em quando lá fazia uma pirueta para torcer e escorrer a água remanescente.

 

Foi nesta altura que pensei que tinha tido um aneurisma! Volto a mim com o som de sininhos e passarinhos a andar em volta da minha cabeça, que mais tarde percebo que é a voz da Beatriz.

- Já sequei o cabelo. Agora vamos pentear.
- Iupiii!!!!! - Digo eu numa satisfação e emoção tremenda e tão bela, que é de cortar o coração!

 

Agarra então num brinquedo a imitar uma escova de cabelo em plástico, mas que mais parece feito com pregos nas pontas. Digo eu a tremer o queixo em pânico, - devagarinho bebé, faz devagarinho.
Responde ela na maior das calmas. "Tá bem papá." Ao jeito de "pai, deixa de ser piegas, é só uma escova de cabelo inofensiva!" À medida que ela passava a escova no meu cabelo da frente para trás, eu gania substancialmente.


A minha cabeça tinha virado um terreno agrícola e estava a ser lavrado por um ancinho desgovernado. Acho que nesta altura ainda estou a ver os piolhos residentes, a abandonarem a minha cabeça como quem salta do titanic prestes a afundar. Entre gritos de terror e pânico que se seguia à passagem da escova de cabelo de brincar, morria mais um piolho fraquinho sem jeito de se salvar.

E tudo a escova levou!

Até a caspa de estimação que mantinha durante anos, como quem faz uma coleção de cromos desapareceu. E olhem que tinha mesmo alguma caspa para troca que também essa sucumbiu ao passar da escova. Uma tristeza! Uma desgraça sem limites!

 

Tenho a certeza que ao fim da terceira passagem, a pele do meu coro cabeludo tinha ficado agarrado à escova de cabelo. 
Podia assim a Beatriz exibir o meu escalpe como uma brava guerreira índia, que conseguiu dominar o seu pai, o malvado cowboy, em poucos minutos.

 

Agora de certeza que estava finalizada a ida ao "caleireiro". Uma vez que o cabelo já tinha desaparecido de vez e porque já tinha o cérebro à mostra! A não ser... que ela fizesse questão de me pentear e secar o cérebro. Assim deste modo era da maneira, que se fazia jus à frase.

"Um ser descerebrado!"

A moral da historia dos "três porquinhos"

Julho 18, 2019

Ricardo Correia

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Depois de ouvir a história dos três porquinhos, centenas de vezes ao longo de anos, e em que a moral da história é sempre a mesma, eis que agora a Beatriz nos deixou estupefactos com esta moral.

 

Se todos se recordam da história, resume-se num lobo mau que faz de tudo para comer os três porquinhos, certo? Um faz uma casa de palha, o lobo sopra e derruba a casa. O porquinho então foge para a casa do irmão, que era feita de madeira. Resultado? O desgraçado do lobo logo a derrubou com dois sopros. Os porquinhos então decidiram ir a correr fazer um jantar de família em casa do irmão mais velho que era feita de tijolos. E eis que surge o lobo mau.

 

E reparem que nós sempre o tratamos por lobo mau! Mas... será que o lobo é mesmo mau?

Beatriz- Coitadinho do lobo. Maus são os três porquinhos.

Mãe - Porquê Bia?

Beatriz - Porque os porquinhos fizeram uma casa de tijolos e ele soprou, soprou e soprou até ficar muito cansado!

Mãe - Então, Bia! Era para o lobo não os comer! Por isso ele já não conseguia derrubar a casa.

Beatriz - Pois. Depois ele teve que ir pela chaminé...

Mãe - Porque ele era matreiro e queria entrar na casa para comer os porquinhos.

Beatriz - Sim. Mas os porquinhos foram maus...

Mãe - Foram! Porque?

Beatriz - Porque lhe queimaram o cú. Tadinho do lobinho!

Pronto temos que dar a mão à palmatória. A Beatriz tem toda a razão.

No fundo, no fundo no fundo agora bem vistas as coisas até tenho o coração apertado!  Tadinho do lobinho que foi para casa com o rabo todo queimado e ainda por cima sem jantar, esfomeado e com a barriga a dar horas. Já para não falar que teve de ir para casa a pé, e tão cansado que ele estava sem fôlego de tanto soprar durante esse dia e sempre a correr de uma casa para o outro.

A vida não é justa!

Dia da família na escolinha

Maio 15, 2019

Ricardo Correia

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Hoje foi dia da família na escolinha da Beatriz.

 

Os papás foram convidados para passarem um pouco da manhã com os seus pequenotes na escola, e assim conhecer um pouca das suas brincadeiras do dia-a-dia.  

 

Então começamos por encher as nossas grandes barrigas na mesa do pequeno-almoço. Afinal de contas, de manhã é que se começa o dia, e não se pode andar de barriga vazia! Senão como teríamos forças para as brincadeiras?

 

Depois fui puxado para a mesa do chá de bonecas. Ora, o que há de melhor numa festa senão comer, e saltar de uma mesa para a outra como num casamento!

 

Sentei-me num banquinho pequenino e a Beatriz "serviu-me" o chá com bolachas, e depois perguntou, "queres mais papá?" E nem me deu tempo para engolir o chá, já estava ela a finalizar:  "Pronto já comeste tudo."

 

Ela estava em pulgas para me mostrar o resto da sala e demais brincadeiras. Por isso de seguida virei, salvo seja, cabeleireira. Pentear as bonecas, por-lhes umas coroas de rainha, empiriquitá-las de pulseiras e fios, enquanto a Beatriz dominava o pincel do blush nas bochechas plásticas da bonecada, e de vês em quando lá ia parar às bochechas dela.

 

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Claro que fomos invadidos por outras meninas que diziam ser chiques... penso que influência dos novos desenhos animados da "Fancy Nancy Clancy", que a Beatriz também costuma ver.

 

Depois fomos para a mesa dos construtores. A Beatriz surpreendeu-me com a arte de dominar as ferramentas e os parafusos. Mas, também não durou muito tempo, porque algo mais interessante chamava por ela. 

 

Como o almoço estava próximo, tivemos então que ir às compras ao "mercadinho da sala", onde há uma caixa registadora "à séria", uma balança e carrinhos de supermercado para podermos fazer as nossas compras para o almoço. Enchemos o carrinho com fruta, carne e pimentos. Hum, delicia! 

 

Fizemos puzzles, lê-mos uma história e fizemos colares da carochinha.

 

Mas o melhor estava para o fim. O que ela queria mesmo era despachar toda a brincadeira entre paredes para sair desenfreada para o pátio em direção ao escorrega. Ah! Agora sim, a brincadeira preferida dela. Aquela que a deixa mesmo com um sorriso de orelha a orelha, e um bom soltar de gargalhada. O deslizar livremente a sentir o vento a embater nos cabelos. O sol, o ar puro... e um bom escorrega; fazem-na uma criança feliz.

 

Depois foi o pior! A parte das despedidas. A beicinha e o soluço, quando chegou a hora dos papás irem embora e eles terem que permanecer na escola. Agarrou-se ao meu pescoço como uma lapa e não queria largar.

 

Disse-lhe que era só por mais um bocadinho e que o tempo passava a correr, e logo logo a mamã estava lá para ir buscar como de costume. Então ela deu-me um beijinho repenicado na minha bochecha e disse-me adeus e "até logo papá!"

Claro que o meu coração também ficou meio encolhido com a despedida, mas enfim... faz parte da vida!

 

 

 

Um desaparecimento misterioso

Abril 08, 2019

Ricardo Correia

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Já há algum tempo que andávamos de volta da bacurinha caçula, para ela largar a chupeta. 

 

No infantário ela já só usava a chupeta para dormir, e em casa estávamos praticamente a usar o mesmo método, embora, ela assim que se lembrava lá vinha pedinchar "a chupeta e o ursinho?" E a gente lá se fazia de desentendidos com um "não sei... Não vi!" 

 

Ontem ela encontrou a chupeta e chamou-me para dizer que a chupeta estava estranha. Então reparei que ela já estava furada. Tinha chegado a hora! 

 

À tarde fomos dar uma volta e ela levou a chupeta e o ursinho com ela, como era hábito. Ah ah "big mistake" 😏

 

Ao descer uma escadaria de vários degraus a Beatriz e eu ficamos para trás, porque a Beatriz diz que já é crescida e quer descer sozinha as escadas, então demora uma eternidade a descer degrau a degrau. Então deu-me para eu segurar, o ursinho e a chupeta para que tivesse melhor equilíbrio. Os irmãos e a mãe mais velozes já nos aguardavam ao fundo das escadas.

 

Entretanto tive um ato irrefletido de estupidez cerebral, e eis que decidi atirar o ursinho para a mãe agarrar. A receção da mãe foi extraordinária, apesar do protesto indignado da Beatriz, ao meu ato. Isto claro, no meio de risos da restante plateia. Então não satisfeito com a primeira estupidez eis que me surge a seguinte! Atirar também a chupeta...

 

Desta vez a receção da mãe já não foi tão boa, ou o meu lançamento uma lástima. A mãe entretanto apanhou a chupeta e guardou-a no bolso, mas fez de conta que a tinha perdido. A Beatriz não viu a mãe a apanha-la e portanto fizemos ali um pouco de teatro. A chupeta tinha desaparecido no espaço. A atmosfera comeu-a. Ficou colada numa nuvem, etc etc. 

 

A bacurinha ficou tão triste que nos deu um aperto no coração. No carro foi muito calada e cabisbaixa e quando chegou a casa ainda choramingou agarrada ao meu pescoço. 

Mas depois começou a brincar e rapidamente esqueceu este infeliz episódio do pai tótó. Como ela própria costuma dizer. "Ai papá! Que tótó!" 

 

Já à noite é que se lembrou de pedir a chupeta outra vez, e a mãe disse-lhe "então! Já não te lembras que ela desapareceu?" e lá disse ela "pois foi perdeu..." Agarrou-se ao ursinho e foi dando voltas de um lado para o outro inquieta, até que acabou por adormecer. 

 

Já os irmãos também "perderam a chupeta". O Xavier deixou-a na praia. Quem sabe... Enterrada na areia. A Ema deixou-a em cima de uma árvore. Num tronco a fazer companhia a uns passarinhos. 😁 As crianças sofrem! 

Eu também consigo!

Março 30, 2019

Ricardo Correia

Hoje o dia começou animado. Toda a gente saiu da cama cedo, empurrados pelo sol que espreitava pela janela. As miúdas aprontaram-se numa correria em direção à sala para ocupar o lugar VIP em frente à televisão para ver os bonecos. Primeiro que haja consenso entre as duas leva uma eternidade.

Porque a Ema escolhe um canal e a Beatriz apreça-se a dizer "não gosto desses bonecos". E logo a Ema resmunga "ai Bia! Assim não dá , nunca gostas de nada!"

Acho que o problema é mesmo haver muitos canais. Lembro-me de no meu tempo só haver a RTP e já era uma maravilha! 🤔 Não havia aquela coisa do não gosto! Não gostas, não vês. Pronto, tá decidido. 😃 Vai brincar que também é bom e saudável.

Lá chegam a acordo e sentam-se as duas sossegadinhas no sofá, à espera que o "mordomo pai" ou a "empregada mãe", lhes interrompam o sossego com a habitual pergunta do "que querem para o pequeno-almoço?" A escolha também nunca é célere. A Beatriz atira ao ar umas quantas coisas a ver se pega, mas sem sucesso. A irmã escolhe iogurte "de beber" e torrada, e a Beatriz imita-a no pedido. 

Vou então à cozinha e trago dois iogurtes, já me faço esquecido em perguntar qual o sabor  que preferem, porque senão é Natal e ainda estou à espera de uma resposta. Vou à sala e entrego um iogurte à Beatriz e outro à Ema. 

Ema - ó pai, tens que agitar o iogurte.

Eu - à pois, tens razão filha. Bia, dá cá o iogurte para o pai agitar. 

A Beatriz observa com atenção o meu gesto. Agito o iogurte abro a tampa e dou-lho para a mão, aberto, e quando viro costas a Ema pede ajuda para abrir o iogurte dela. Eis que depois ouço nas minhas costas, uma vozita endiabrada com ar importante, a dizer "eu também consigo papá, olha".

Ao ouvir estas palavras o meu cérebro iluminou-se como um flash, com a imagem do iogurte sem tampa. Só tive tempo de me virar de novo para a pirralhita, e esticar-me todo ao som da minha própria voz com um "nãaaaaaaaooooooooo" 😫.  Acho que toda a ação se passou em câmara lenta porque naquela fração de segundos não cheguei lá a tempo. Já só vi a parte final.

A Beatriz a agitar o iogurte aberto, e como consequência disso a sua carita já estava toda branca com os olhitos a piscar, muito direita a segurar no iogurte com muita força e a perguntar-se que raio tinha acontecido? Do teto chovia iogurte. 😱 De repente toda aquela área estava pintada de branco. Era o LCD a escorrer iogurte, o móvel da sala cheio de iogurte, o chão com poças de iogurte... 

Ouço o meu lamento final meio desapontado com um "ó filha! A sério?" 😟Quando pensei que ia desatar no berreiro choramingas, eis que lança uma gargalhada estridente super bem disposta e triunfante de quem sabe que fez asneira, mas o resultado final superou todas as expectativas pois foi super divertido. 

Claro que para o pai naquele momento não foi nada hilariante. Só aborrecimento de ter que limpar!

Mais tarde desatei-me a rir de mim próprio para aprender a lição de que a Beatriz está na fase de nos querer imitar e com aquela mania irritante de que já é crescida e que consegue fazer tudo sozinha. Mas só de me lembrar daquela carita toda branca só com os olhitos a piscar muito séria, já me dá uma vontade de rir...que ninguém imagina. 😂

 

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