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3 em Linha

-Blog familiar é só entrar com boa disposição- 😉

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Vaca à solta na A19

Agosto 22, 2019

Ricardo Correia

Parece que ontem , pelas 19 horas, na A19, junto à saída para o acesso ao LeiriaShopping na faixa de rodagem com o sentido Norte-Sul, foi avistada uma vaca. 

Segundo a GNR foi enviada uma patrulha para o local, que, terá encurralado o animal, e o terá abatido ali mesmo com dois tiros.

O vídeo foi captado por André Silva que o cedeu ao JORNAL DE LEIRIA e a quem o dono da vaca admitiu que esta fugiu, quando a estavam a descarregar no cais do matadouro, que se situa nas proximidades.

fonte: Jornal de Leiria

 

Ora, tenho a dizer em defesa dos animais que estou chocado com esta noticia. É bem visível que a vaca não queria morrer.

Pois, a pobre vaca vendo-se no corredor da morte e ao avistar o seu infortúnio futuro, pôs-se a milhas dali para fora. Se visionar-mos no vídeo com atenção, o pobre animal seguia pela berma sem estorvar ninguém!

Andava ali a passear somente apreciar os últimos minutos de liberdade, sol e ar puro. Já vi imensos seres humanos que mesmo sem estarem bêbados não conseguem sequer andar direitos. Tanto de carro como a pé!

 

Alguns, vão muito bem na berma e depois lembram-se de atravessar a estrada a correr, porque acham que são grandes atletas e fazem aquilo num segundo, e quando vamos a ver... pumba! Já foste!

Outros, vão de carro e pensam que são pilotos de rali, e gostam de andar a fazer "slalons" pelo trânsito, com os pneus a chiar e, o motor a roncar que nem um porco. Esses também são uns grandes animais...

E ainda há aqueles, condutores de fim-de-semana, ou alguns sexagenários a andarem a trinta à hora que estorvam mais do que a vaca.

 

Outros animais, que geralmente circulam em manada são os ciclistas. Andam aos zig-zags, para se desviarem uns dos outros.

Parece uma dança de alguém que ingeriu cogumelos alucinógenos. Porque geralmente andam fora das bermas, em plena estrada, a tentar manter uma conversa animada uns com os outros, como se nada fosse. As ciclovias geralmente são bonitas e servem para enfeitar. É muito mais agradável andar a empatar o tráfego.

Se fosse comigo ía todo a acagaçado de andar no meio do trânsito, não fosse algum condutor mais maluco mandar-me uma pantufada e ir a lavrar com os queixos até Santarém.

 

Também não achei nada bem a GNR, ter abatido o animal. Até porque sei de fonte segura, que a SIC já tinha encetado contactos com um agricultor, daqueles que não se consegue decidir por nenhuma donzela, do programa TOP : "Quem quer namorar com o agricultor", para vir em socorro da pobre vaca.

 

Seguia então este a galope, montado no seu garanhão, numa missão de salvamento. Envergando a sua camisa amarela aos xadrez, o seu colete de vaca mimosa, as célebres calças de ganga que nunca se trocam, de há três meses atrás e, as suas botas castanhas de meio cano com esporas. Sobre o seu chapéu castanho de abas largas, rodopiava a corda em laço, pronto para jogar no pescoço do animal. Seria o salvamento mais heroico da sua vida! Porque toda a vaca, merece o seu boi. Ato nobre que lhe foi roubado pelo agente da autoridade, ao desferir dois tiros crueis na pobre vaquinha... 

Assim se rouba a felicidade de alguém!

Como eu fiquei careca, por umas horas!

Agosto 19, 2019

Ricardo Correia

IMG_20190804_153535.jpg

Estava eu alapado no sofá a ver qualquer coisa sem importância alguma, somente para matar o tempo, quando vejo uma sombra a aproximar-se da porta.

Eis, que me deparo com a Beatriz carregada de tralha até aos dentes, sub-entenda-se, brinquedos com fartura. Quando a vejo a aproximar de mim e a largar os brinquedos todos, como quem atira algo de um precipício para cima do sofá, até me arrepiei ao mirar o teor de tais objetos.

 

Com mais ou menos esforço lá trepa ela para cima do sofá, manda-me um "chega para lá" nas costas e senta-se em cima de um almofadão que eu tinha atrás de mim, lançando uma perna para cada lado ficando bem posicionada no meio das minhas costas.

 

- Então rapariga. Que se passa? - Pergunto eu intrigado com tal abordagem.
- Vou brincar aos "caleireiros" papá. - responde toda sorridente.
- Ai que bom! - disse sarcástico. Por cima da minha cabeça surgiu um balão com uma simples frase. "Estou feito!"
- Agora vou te lavar o cabelo...

 

Agarra ela num frasquinho e começa a fazer os gestos de quem põe champô nas mãos, para depois as mergulhar no meu cabelo.

De seguida começa ela então a esfregar as mãos pelo meu cabelo de um lado para o outro. E notem que a sensibilidade dela ainda não está apurada, para infelicidade minha! De tal modo, que pensei que a minha cabeça tinha sido enfiada numa batedeira gigante e posta na velocidade máxima.  A minha cabeça rodopiava, rodopiava, rodopiava... acho que dei a volta ao mundo em cabeça ao pendurão em poucos segundos. O meu cérebro era agora uma massa fofa para bolos.

A televisão por momentos desapareceu e apareceu. A parede ficou a voar à minha volta junto com quadros e móveis, e tudo e tudo... pensei que tinha entrado num carrocel em que nós estamos parados, mas tudo gira à nossa volta. E penso que foi neste momento que desmaiei.

 

Entretanto volto a mim ainda com náuseas da viagem turbulenta, com a Beatriz a concluir.

- Pronto papá, já está lavadinho. Agora vamos secar.

O quê! Hum, ainda há mais! Oh bolas! - penso para mim mesmo.


Então puxa uma mantinha branca que estava nas costas do sofá, que era dela de bebé e que ainda a persegue para todo o lado. Cobre a minha cabeça com a manta, e lá começa novamente a minha experiência maravilhosa no "caleireiro" com a secagem manual.

Desta vez tive uma experiência menos traumática. Só parecia que a minha cabeça estava a ser usada como esfregona, e andava a lavar o chão ao mesmo tempo que fazia o pino, que era atirada para a frente e para trás. De vez em quando lá fazia uma pirueta para torcer e escorrer a água remanescente.

 

Foi nesta altura que pensei que tinha tido um aneurisma! Volto a mim com o som de sininhos e passarinhos a andar em volta da minha cabeça, que mais tarde percebo que é a voz da Beatriz.

- Já sequei o cabelo. Agora vamos pentear.
- Iupiii!!!!! - Digo eu numa satisfação e emoção tremenda e tão bela, que é de cortar o coração!

 

Agarra então num brinquedo a imitar uma escova de cabelo em plástico, mas que mais parece feito com pregos nas pontas. Digo eu a tremer o queixo em pânico, - devagarinho bebé, faz devagarinho.
Responde ela na maior das calmas. "Tá bem papá." Ao jeito de "pai, deixa de ser piegas, é só uma escova de cabelo inofensiva!" À medida que ela passava a escova no meu cabelo da frente para trás, eu gania substancialmente.


A minha cabeça tinha virado um terreno agrícola e estava a ser lavrado por um ancinho desgovernado. Acho que nesta altura ainda estou a ver os piolhos residentes, a abandonarem a minha cabeça como quem salta do titanic prestes a afundar. Entre gritos de terror e pânico que se seguia à passagem da escova de cabelo de brincar, morria mais um piolho fraquinho sem jeito de se salvar.

E tudo a escova levou!

Até a caspa de estimação que mantinha durante anos, como quem faz uma coleção de cromos desapareceu. E olhem que tinha mesmo alguma caspa para troca que também essa sucumbiu ao passar da escova. Uma tristeza! Uma desgraça sem limites!

 

Tenho a certeza que ao fim da terceira passagem, a pele do meu coro cabeludo tinha ficado agarrado à escova de cabelo. 
Podia assim a Beatriz exibir o meu escalpe como uma brava guerreira índia, que conseguiu dominar o seu pai, o malvado cowboy, em poucos minutos.

 

Agora de certeza que estava finalizada a ida ao "caleireiro". Uma vez que o cabelo já tinha desaparecido de vez e porque já tinha o cérebro à mostra! A não ser... que ela fizesse questão de me pentear e secar o cérebro. Assim deste modo era da maneira, que se fazia jus à frase.

"Um ser descerebrado!"

Um desaparecimento misterioso!

Agosto 08, 2019

Ricardo Correia

Tem andado desaparecido desde o dia 21 de Junho, um individuo que envergava uma t-shirt floreada ao estilo das caraíbas, uns calções aos quadradinhos azuis e calçava umas havaianas alaranjadas.

 

Fontes próximas do individuo, confirmaram ao blog 3 em Linha em exclusivo, que já era sua intenção abandonar o país em busca de melhores oportunidades.

 

Terá sido visto pela última vez a entrar no aeroporto de óculos escuros, puxando um troley pequeno e rígido de cor preta. Permanece no entanto um mistério para onde terá sido o seu destino final.

 

As autoridades locais unem agora esforços juntamente com a Interpol, no sentido de seguirem pistas que leve ao paradeiro do indivíduo.

 

O seu verdadeiro nome permanece uma incógnita embora alguns amigos chegados, informaram-nos que o mesmo tinha a alcunha de Verão.

Esses mesmos amigos próximos, no caso a sua Prima Vera e o Out Ono, terão revelado que o Verão andava um pouco desmotivado. Por ser o único Português que não tinha uma selfie com o Presidente. Tende mesmo chegado a pensar em suicídio se isso não se chegasse a concretizar nos tempos mais próximos. 

 

O sol, ao que se consta de tão amigo que é do Verão, tem andado bastante deprimido e há quem diga mesmo que anda muito triste e cinzento.

É por isso que o sol tem sido escasso e a chuva teima em aparecer sempre que pode. Devido à choradeira incessante de desgosto pelo desaparecimento do Verão.

 

É de salientar ainda que o sol terá advertido para o facto de um outro individuo andar a fazer-se passar pelo verdadeiro Verão. Daí este tempo andar tão incerto e sem mostras de molhoras.

 

Lanço assim um apelo a todos, para que se mantenham alerta no caso de se cruzarem com o Verão, de modo a tentar convence-lo a voltar ao seu país, pois todos sentem saudades dele.

 

Fim de emissão!

Olá Verão.jpg

 

É preciso um curso intensivo para escolher um champô!

Agosto 06, 2019

Ricardo Correia

Champô Kaseiro.jpg

Hoje passei pelo supermercado para comprar umas coisitas em falta, e entre uma delas que constava da lista, era champô. Até aqui nada de extraordinário! Quando chego ao corredor dos champôs, eis que dou comigo, com o olhar perdido a mirar o horizonte.

 

Naquele oceano de produtos infindáveis, de champôs, amaciadores, máscaras, tonificantes, e mais sei lá eu o quê. Bolas! Mas eu só quero mesmo é lavar o cabelo e, que este fique lavado e a cheirar bem. Tão simples quanto isso!

 

No meu tempo havia meia-dúzia deles e já era demais! A única coisa que precisávamos de saber era o tipo de cabelo. Se era seco, oleoso, ou normal. Também, lá no fundo, dependia dos dias. Era óbvio que o meu cabelo era seco nos dias em que não chovia. Dah! Essa era fácil de saber.

 

Era oleoso quando íamos almoçar ou jantar ao "McDonalds", e ficávamos na fila da caixa mais junto à fritadeira. Em que vinha aquele aroma maravilhoso, envolto em nuvem de algodão, ensopada em óleo a pairar por cima de nós.

 

Era cabelo normal, quando nos estávamos a borrifar para o que se passou no dia-a-dia, e íamos tomar banho a toque de ralhete maternal, "desanda já para a banheira que estás a cheirar a estrume num dia de primavera". Ora, deste modo, que remédio senão irmos nós. Sem vontade nenhuma e desconfiados, com o nariz de baixo do sovaco sem entender de onde vinha o bafo. Que de certeza que não era nosso!

 

Dou comigo a pensar. E olhem que isto é grave. Porque quando me ponho a pensar....

Será que na hora de lavar o cabelo, tenho que ter na banheira uma prateleira com uma carrada infinita de champôs? Sim, porque existe champôs para tudo e mais alguma coisa. Temos de perguntar ao cabelo:

 

- Cabelo meu. Como te estás a sentir hoje?

- Muito fraquinho - responde ele quase a desfalecer. 

- Ah! Então vamos usar o champô fortificante. Vais ficar forte como o Popey! De certeza que este champô é feito à base de espinafres. Até é verde e tudo...

 

- Cabelo meu. Estarás hoje mais porco do que eu?

- Não meu amo. Que isso é impossível.

- Ok! Mereci essa. Então que desejais tomar hoje?

- Hoje estou-me a sentir uma diva quase a chegar ao estrelato, por isso preciso de um pouco de brilho.

- Toma um champô feito à base de vitamina D e purpurinas estrelares, e um pouco de brilhantina. O meu cabelo hoje vai ser uma "drag-queen".

 

Dei por mim a ler os rótulos meio atónito.

Dizia um assim "Para cabelos danificados".  Mas estão a enganar quem? A mim não é de certeza. Se o cabelo já está danificado não tem remédio. Será que o champô vem com "super cola 3" ? E trás nano-robôs para irem colar as peças partidas? Hummm! Acho isto muito estranho.

 

Existe outro que diz "Detox Volume". Mais uma marosca. Porque toda a gente sabe que a dieta Detox é para reduzir o volume. Não é normal tirar o volume do corpo e ir pô-lo na cabeça. Vai a malta toda andar com um cabeção de metro e meio, nem passam nas portas. Tótós!

 

Ainda há outro champô para cabelo teimoso. Que é o dos caracóis. Dizem eles, que "transforma as ondas rebeldes em caracóis definidos". Isto é brutal para os surfistas. As ondas que não dão para surfar, porque são rebeldes, com este champô em contacto com o mar, é vê-lo a transformar-se e a fazer "super tubos" perfeitos. Excelente ideia.

 

Temos também um champô do Bob, o construtor, porque diz assim: "Champô reconstrutor que repara intensamente os comprimentos e pontas espigadas, nutrindo sem pesar." Lá está o Bob a entrar em ação e a reconstruir o cabelo do pessoal. Só não entendo esta do "sem pesar"! Será que é alguma boca ao pessoal das rastas? Que andam com cabelo de três meses e, a certa altura já pesa tanto que arrasta pelo chão? E esta frase de pontas espigadas? É na altura da apanha do milho? Anda tudo com os cabelos ao vento à procura da espiga?

 

Descobri um também para puritanas religiosas. Porque diz ele assim: "formulado sem silicone, combina os nutrientes [...] com água micelar para purificar e revitalizar o cabelo desde a raiz até às pontas". Em primeiro lugar vêm-se livres do silicone. Mostra bem, que é tudo ao natural não há cá incrementos desnecessários. Depois, purifica com água micelar. Que é basicamente água benta. Assim, podem perfeitamente pecar à noite e purificar-se de seguida com este champô, concebido por Deus.

 

E naqueles dias em que queremos somente um duche rápido, e não temos tempo para maraquices? 

O cabelo leva com um especial. É aquele três mil... em um.

Que lava, perfuma, nutre, protege, resguarda, ilumina, brilha, ataca a caspa à força toda, desembaraça, encaracola, seca, mete gel e penteia.

A fada dos dentes - história semi-horror-o-infantil

Julho 29, 2019

Ricardo Correia

fadinha dos dentes.jpg

Recordam-se daquela mítica história infantil de que cada vez que cai um dente a uma criança, algum adulto palerma , se lembrou de dizer que vinha a fada dos dentes? Lá em casa entrou a fada dos dentes com o Xavier até ao último dente de leite. Pensávamos nós que a iríamos continuar a ver com a chegada da Ema na cegonha. Mas o que é certo é que nunca a mais a vimos! Será que ela perdeu o GPS? Ou tem uma bússola avariada e não dá com a morada!

 

Ontem, caiu mais um dente à Ema! E como tal, podem não acreditar mas cada vez que se dá um destes fenómenos é a choradeira total. Ela lá vai abanando o dente para um lado e para o outro, a ver se ele cai, mas sem sucesso. Então chega a uma altura em que vem ter comigo. E é assim que encarno uma das muitas profissões que os pais exercem com os filhos ao longo dos anos. Passamos de aprendizes a doutorados num ápice. Então é aqui, que visto a bata de dentista. E sem um mínimo de esforço, só com um pequeno toque fico com o dente nas mãos. Assim que ela vê o dente nas minhas mãos exclama muito intrigada "O quê! Já está?" Ao mesmo tempo que as lágrimas lhe rolam cara a baixo, e desata a correr para a casa de banho para bochechar. Nunca percebi o porquê deste trauma de perder os dentes. Até parece que alguém morreu.

 

Depois vem a segunda fase do drama. Que é eu a perguntar-lhe. Queres pôr o dente de baixo da almofada? Ui, mas o que é que eu fui perguntar?Mais valia ter posto o pé na bosta antes de abrir a boca. Quase que sou esbofeteado pelas palavras refilonas e indignadas que saem a toque de metralhadora.

Ema - "Que nojo dormir a noite inteira com isso de baixo da almofada!" 

Eu - " ...mas depois vem a fada dos dentes e troca o dente por uma moeda!" 

Ema - "Eu quero lá saber da moeda! Não quero é ninguém estranho a entrar-me pelo quarto a dentro durante a noite. Além do mais, por onde é que ela entra hã? Pela janela?" 

Eu - "Não ela é mágica..." 

Ema -"Não, não não! não quero nada disso na minha cama, nem ninguém no meu quarto!" 

 

Eu até percebo a bacurinha do meio. Uma fada pode ser um ente deveras arrepiante e medonho.

Se pensarmos bem, ela tem razão! Imaginar a cena é um bocado constrangedor... 

Porque raio alguém iria querer ter um estranho a entrar no nosso quarto à noite?

 

Vamos recuar ao tempo em que a Ema era bem pequenina para saber de onde vem o trauma?

 

O dentinho já se encontra debaixo da almofada e a Ema dorme que nem um bebé.

 

Não sabemos se vem a esvoaçar com as asas a brilhar, ou arrastar os pés meio moribunda, de quem está a pé a noite toda, cheia da sono! 

O silêncio paira no ar invadindo toda a casa. A fada, matreira e receosa para não ser apanhada olha em redor do quarto e observa o seu alvo. Lá estava a almofada que guarda por baixo o seu tesouro.

(Logo aqui, já estou com medo só de pensar em alguém a observar-nos)

 

Ouve-se uma respiração calma e lenta de quem está profundamente a dormir. 

Dirige-se para a junto da cabeceira da cama e, lentamente estende a mão para alcançar o tão afamado dentinho, que está sob a almofada.

(Bolas... e se a fada for uma bruxa má disfarçada e nos for ao pescoço?)

 

Com a mão trémula a fada no encalço do dentinho estica o braço deslizando-o para debaixo da almofada. Sente o dentinho e agarra-o forte, como alguém que conquistou um troféu. Neste preciso momento em que a fada agarra o dentinho, a Ema vira a cabeça e prensa-lhe os dedinhos, que lança de imediato um gemido de dor e três palavrões desenfreados. A mão da fada estava agora imobilizada como de baixo de uma rocha.

 

A sua face perde imediatamente o sorriso e incha escarlate de raiva! Puxa então o braço num safanão para se livrar da cabeça da Ema, fazendo-a acordar. Com o rosto invadido de terror e com o susto, a Ema lança um grito estridente, perfurando os ouvidos da fada que tenta esvoaçar dali para fora. Com o grito a fada é agora uma traça desnorteada sem conseguir alcançar a saída embatendo nas paredes, ora à esquerda, ora à direita.

A fada já com o dente preso na sua mão, lança pragas ao universo.

Que esta menina chore todas as vezes que lhe caia um dente!

AHHHAHHHHAHHH!

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